Doar de si; um gesto de caridade

Armazenamento do Cordão Umbilical e Placentário

Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19)

Armazenamento e controle de qualidade
Após a coleta, o sangue de cordão umbilical e placentário é encaminhado ao laboratório de processamento do respectivo banco, onde o mesmo será armazenado. A criopreservação deve ocorrer o mais precocemente possível, e o tempo máximo para a realização deste procedimento não deve exceder 48 horas. Durante este período a unidade de sangue de cordão coletada deve ser mantida a temperatura de 4°C (mais ou menos 2°C) até o processamento.

Antes da estocagem, deve-se realizar o controle de qualidade que inclui: exames sorológicos para doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue e doenças genéticas, verificação de contaminação bacteriana e/ou fúngica, contagem e viabilidade celular. Também são armazenadas alíquotas do sangue da mãe para testes futuros.As unidades são triadas para algumas doenças infecciosas, incluindo HIV (AIDS), hepatite B e C, doença de Chagas, sífilis, vírus HTLV, entre outras.

No caso de doação para bancos públicos, ou indicação de uso aparentado (dentro da própria família), realiza-se também a tipagem HLA.

Para que a amostra de sangue de cordão umbilical a ser armazenada seja clinicamente útil, frente às possibilidades terapêuticas atuais, esta deve conter um número mínimo de células. Esta é uma exigência técnica e legal, portanto, as amostras que apresentarem baixa celularidade devem ser descartadas. Também deverá ser descartada quando apresentar contaminação microbiológica ou fúngica.

Existem casos especiais de indicação de armazenamento de unidades de sangue de cordão umbilical, em que a amostra obtida pode ser armazenada, mesmo fora dos padrões técnicos (obtenção de volume inferior ao estipulado, baixa contagem celular, teste microbiológico positivo). Estes casos estão previstos na legislação e o armazenamento depende da avaliação dos riscos e benefícios da utilização desta amostra, após decisão conjunta entre o serviço que realizou a coleta, o médico responsável pelo tratamento do paciente e o serviço de transplante.

Coleta
Ato realizado imediatamente após o nascimento do bebê (parto normal ou cesariana). Há duas técnicas principais para a realização da coleta do sangue de cordão umbilical e placentário por punção da veia umbilical: antes da dequitação (expulsão) da placenta do útero (in utero), ou após (ex útero). O volume de sangue de cordão umbilical e placentário coletado varia, geralmente, de 50 a 150mL, não importa a técnica utilizada.

A coleta após a dequitação da placenta (ex útero) deve ser efetuada em um local apropriado, com materiais e instrumentais adequados. A placenta é, geralmente, suspensa em um cavalete ou apoio especialmente elaborado. O cordão é devidamente limpo com o auxílio de uma solução anti-séptica, e em seguida é inserida a agulha de coleta dentro da veia umbilical. O sangue é coletado por gravidade para dentro de uma bolsa contendo anticoagulante.

A coleta in utero é realizada também após o nascimento do bebê, uma vez que o cordão é pinçado e o local da venopunção desinfetado, a punção é realizada e a unidade é coletada por gravidade e dura de dois a quatro minutos. O tempo máximo necessário para garantir uma boa coleta in utero é inferior a 10 minutos.

A técnica de coleta do sangue de cordão umbilical in utero é invasiva, quando comparada com a técnica ex utero, e tem o potencial de interferir nos cuidados com a mãe e eventualmente com o recém-nascido, uma vez que esses cuidados são interrompidos para que a coleta seja feita. Com relação aos profissionais que realizarão o procedimento da coleta, as duas técnicas exigem equipe ou profissional exclusivos e devidamente treinados.

O sangue de cordão umbilical, com o intuito de ser doado para um banco público, é coletado após a dequitação da placenta, em local adequado, com técnicas padronizadas e por uma equipe bem treinada e com experiência. No caso de armazenamento em bancos privados, os profissionais que venham realizar esse tipo de coleta, também devem possuir treinamento e experiência na área.

O sangue que resta na placenta e no cordão umbilical após o nascimento do bebê pode ser facilmente coletado (coleta pós-dequitação) com nenhum risco para a mãe e para o bebê, e pode permanecer criopreservado por anos.

Muitas são as vantagens do sangue de cordão em relação à medula óssea, por exemplo:
1) pode ser rapidamente disponibilizado, uma vez que já se encontra armazenado nos bancos públicos de sangue de cordão umbilical;

2) provoca menor rejeição e

3) apresenta menor restrição de compatibilidade HLA do que a medula óssea, aumentando-se as chances de se encontrar um doador compatível em um BSCUP.

Uma restrição importante é o volume disponível de sangue em cada cordão, que deve compreender entre 70 a 100 mL ou mais para ser armazenado. Mesmo as maiores unidades coletadas contém, substancialmente, pouca quantidade de células tronco hematopoéticas (CTH) em comparação a uma doação típica de medula óssea. De fato, algumas unidades contêm número de células insuficiente para tratar um adulto, e a maioria das unidades armazenadas podem ser utilizadas para tratar pacientes com até 50 Kg, ou seja, crianças obesas ou pacientes adultos com peso maior que o especificado têm pouca probabilidade de utilizar o próprio sangue de cordão. Quando do uso alogênico, estudos mostram que este fato pode vir a ser contornado utilizando-se duas unidades de sangue de cordão umbilical compatíveis, quando disponíveis no registro público.

No campo da pesquisa em saúde, as CTH são objetos de extremo valor pela sua plasticidade para trabalhos, e através delas, podemos conhecer e usar de forma adequada todo patrimônio genético contido em seus cromossomos. Na população brasileira, graças a sua grande miscigenação, esse é um patrimônio de primordial importância.

Com isso, é possível disponibilizar o sangue de cordão umbilical não somente para tratamento mas também para pesquisas, as quais podem nos revelar suscetibilidade ou resistência a doenças além de, talvez, propiciar terapias gênicas como cura para várias doenças. É importante ressaltar que as divulgadas aplicações de CTH, a chamada medicina regenerativa (que não para o transplante de medula óssea) ainda estão no campo experimental e não possuem resultados comprovados clinicamente

Fonte:http://www.anvisa.gov.br

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Atualizado em: 29-01-2010