Armazenamento e controle de
qualidade 
Após a coleta, o sangue de cordão umbilical e placentário é encaminhado ao
laboratório de processamento do respectivo banco, onde o mesmo será
armazenado. A criopreservação deve ocorrer o mais precocemente possível, e o
tempo máximo para a realização deste procedimento não deve exceder 48 horas.
Durante este período a unidade de sangue de cordão coletada deve ser mantida
a temperatura de 4°C (mais ou menos 2°C) até o processamento.
Antes da estocagem, deve-se realizar o controle de qualidade que inclui:
exames sorológicos para doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue e
doenças genéticas, verificação de contaminação bacteriana e/ou fúngica,
contagem e viabilidade celular. Também são armazenadas alíquotas do sangue
da mãe para testes futuros.As unidades são triadas para algumas doenças
infecciosas, incluindo HIV (AIDS), hepatite B e C, doença de Chagas,
sífilis, vírus HTLV, entre outras.
No caso de doação para bancos públicos, ou indicação de uso aparentado
(dentro da própria família), realiza-se também a tipagem HLA.
Para que a amostra de sangue de cordão umbilical a ser armazenada seja
clinicamente útil, frente às possibilidades terapêuticas atuais, esta deve
conter um número mínimo de células. Esta é uma exigência técnica e legal,
portanto, as amostras que apresentarem baixa celularidade devem ser
descartadas. Também deverá ser descartada quando apresentar contaminação
microbiológica ou fúngica.
Existem casos especiais de indicação de armazenamento de unidades de sangue
de cordão umbilical, em que a amostra obtida pode ser armazenada, mesmo fora
dos padrões técnicos (obtenção de volume inferior ao estipulado, baixa
contagem celular, teste microbiológico positivo). Estes casos estão
previstos na legislação e o armazenamento depende da avaliação dos riscos e
benefícios da utilização desta amostra, após decisão conjunta entre o
serviço que realizou a coleta, o médico responsável pelo tratamento do
paciente e o serviço de transplante.
Coleta
Ato realizado imediatamente
após o nascimento do bebê (parto normal ou cesariana). Há duas técnicas
principais para a realização da coleta do sangue de cordão umbilical e
placentário por punção da veia umbilical: antes da dequitação (expulsão) da
placenta do útero (in utero), ou após (ex útero). O volume de sangue de
cordão umbilical e placentário coletado varia, geralmente, de 50 a 150mL,
não importa a técnica utilizada.
A coleta após a dequitação da placenta (ex útero) deve ser efetuada em um
local apropriado, com materiais e instrumentais adequados. A placenta é,
geralmente, suspensa em um cavalete ou apoio especialmente elaborado. O
cordão é devidamente limpo com o auxílio de uma solução anti-séptica, e em
seguida é inserida a agulha de coleta dentro da veia umbilical. O sangue é
coletado por gravidade para dentro de uma bolsa contendo anticoagulante.
A coleta in utero é realizada também após o nascimento do bebê, uma vez que
o cordão é pinçado e o local da venopunção desinfetado, a punção é realizada
e a unidade é coletada por gravidade e dura de dois a quatro minutos. O
tempo máximo necessário para garantir uma boa coleta in utero é inferior a
10 minutos.
A técnica de coleta do sangue de cordão umbilical in utero é invasiva,
quando comparada com a técnica ex utero, e tem o potencial de interferir nos
cuidados com a mãe e eventualmente com o recém-nascido, uma vez que esses
cuidados são interrompidos para que a coleta seja feita. Com relação aos
profissionais que realizarão o procedimento da coleta, as duas técnicas
exigem equipe ou profissional exclusivos e devidamente treinados.
O sangue de cordão umbilical, com o intuito de ser doado para um banco
público, é coletado após a dequitação da placenta, em local adequado, com
técnicas padronizadas e por uma equipe bem treinada e com experiência. No
caso de armazenamento em bancos privados, os profissionais que venham
realizar esse tipo de coleta, também devem possuir treinamento e experiência
na área.
O sangue que resta na placenta
e no cordão umbilical após o nascimento do bebê pode ser facilmente coletado
(coleta pós-dequitação) com nenhum risco para a mãe e para o bebê, e pode
permanecer criopreservado por anos.
Muitas são as vantagens do sangue de cordão em relação à medula óssea,
por exemplo:

1) pode ser
rapidamente disponibilizado, uma vez que já se encontra armazenado nos
bancos públicos de sangue de cordão umbilical;
2) provoca menor rejeição e
3) apresenta menor restrição
de compatibilidade HLA do que a medula óssea, aumentando-se as chances de se
encontrar um doador compatível em um BSCUP.
Uma restrição importante é o volume disponível de sangue em cada cordão, que
deve compreender entre 70 a 100 mL ou mais para ser armazenado. Mesmo as
maiores unidades coletadas contém, substancialmente, pouca quantidade de
células tronco hematopoéticas (CTH) em comparação a uma doação típica de
medula óssea. De fato, algumas unidades contêm número de células
insuficiente para tratar um adulto, e a maioria das unidades armazenadas
podem ser utilizadas para tratar pacientes com até 50 Kg, ou seja, crianças
obesas ou pacientes adultos com peso maior que o especificado têm pouca
probabilidade de utilizar o próprio sangue de cordão. Quando do uso
alogênico, estudos mostram que este fato pode vir a ser contornado
utilizando-se duas unidades de sangue de cordão umbilical compatíveis,
quando disponíveis no registro público.
No campo da pesquisa em saúde, as CTH são objetos de extremo valor pela sua
plasticidade para trabalhos, e através delas, podemos conhecer e usar de
forma adequada todo patrimônio genético contido em seus cromossomos. Na
população brasileira, graças a sua grande miscigenação, esse é um patrimônio
de primordial importância.
Com isso, é possível disponibilizar o sangue de cordão umbilical não somente
para tratamento mas também para pesquisas, as quais podem nos revelar
suscetibilidade ou resistência a doenças além de, talvez, propiciar terapias
gênicas como cura para várias doenças. É importante ressaltar que as
divulgadas aplicações de CTH, a chamada medicina regenerativa (que não para
o transplante de medula óssea) ainda estão no campo experimental e não
possuem resultados comprovados clinicamente
Fonte:http://www.anvisa.gov.br