Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de
células-tronco de pluripotência induzida. Conhecidas pela sigla IPS -
Induced Pluripotent Stem Cells, em inglês -, elas são idênticas às cobiçadas
células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de
embriões para sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para
se transformar em qualquer tecido do organismo) é induzida "artificialmente"
em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.
A técnica, segundo o que os pesquisadores revelaram com exclusividade ao
Estado, não reduz a importância do estudo das células embrionárias
"autênticas", mas diminui a necessidade de destruir embriões para a produção
de novas linhagens pluripotentes. Além de facilitar imensamente a produção
de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no
número de células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar
pelas complicações técnicas (e éticas) de fabricar ou clonar um embrião para
pesquisa.
Apenas quatro outros países já possuem linhagens de células IPS registradas
na literatura científica: Japão, Estados Unidos, China e Alemanha. A
pesquisa brasileira produziu, simultaneamente, em menos de um ano, uma
linhagem IPS de células humanas e outra de camundongo. Ambas serão
disponibilizadas gratuitamente para a comunidade científica.
O projeto foi realizado nos laboratórios do neurocientista Stevens Rehen, do
Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), e do biomédico Martin Bonamino, da Divisão de Medicina Experimental
do Instituto Nacional de Câncer (Inca), com apoio dos alunos de
pós-graduação Bruna Paulsen e Leonardo Chicaybam. A parceria começou em
2008, depois que Rehen deu uma palestra no Inca. Foi o casamento perfeito:
"O Stevens sabia cultivar as células-tronco e a gente sabia produzir os
vetores virais para infectar as células", conta Bonamino.
Fonte: Agência Estado
Gentilmente enviado por Luz de Lanterna
Atualizado em 03-12-2009