CHICAGO (Reuters) - Células-tronco
tiradas da medula óssea e geneticamente programadas para transportar uma
proteína que combate tumores demonstraram resultados promissores em um
estudo apresentado na terça-feira por pesquisadores britânicos.
Experimentos em culturas celulares e em ratos demonstraram que as
células-tronco adultas --um tipo chamado células-tronco mesenquimais--
poderiam se alojar em células cancerosas e administrar uma proteína letal,
que atacava apenas o câncer, poupando o tecido saudável.
"Desenvolvemos células que miram especificamente o câncer através do corpo e
administram uma proteína anticâncer onde ela for necessária, numa abordagem
de busca e destruição", disse Michael Loebinger, do University College, de
Londres, que apresentou as descobertas na conferência da Sociedade Torácica
Americana em San Diego.
"Essencialmente combinamos duas pesquisas: a primeira é que as
células-tronco mesenquimais têm uma capacidade inata de buscar tumores pelo
corpo", disse Loebinger em entrevista telefônica.
A equipe alterou as células para ativar a proteína que mata o câncer,
conhecida pela sigla Trail (que também significa "trilha").
"Esta proteína tem a capacidade de causar a morte apenas das células
cancerosas. Ao combinar essas duas abordagens, temos uma célula que tem a
capacidade de ir pelo corpo e encontrar e destruir os tumores", disse
Loebinger.
Estudos em culturas celulares mostraram que as células foram capazes de
encontrar células de câncer de pulmão, mama e colo do útero. "Muitos
cânceres tem sensibilidade a esta proteína Trail", disse Loebinger.
Estudos em ratas com câncer de mama mostraram que as células eram capazes de
preservar os tecidos sadios. "Quando administramos esta terapia, 38 por
cento dos tumores foram completamente eliminados."
Ele disse que a meta seria desenvolver um tratamento celular para o câncer
em humanos que atinja especificamente as células doentes.
Uma propriedade atraente dessas células é que elas são "imunoprivilegiadas",
o que significa que o corpo não as rejeita como invasoras. Assim, elas podem
ser produzidas em lotes, em vez de exigir uma produção sob medida para cada
paciente, segundo Loebinger.
De acordo com ele, ainda será preciso realizar vários estudos de segurança,
mas a equipe espera que os testes comecem dentro de dois ou três anos.
Por Julie
Steenhuysen
Atualizado em
03-12-2009