O Estado de São Paulo alcançou
número recorde de transplante de órgãos em 2008. Até 15 de dezembro, foram
contabilizadas 1.386 cirurgias, superando em 23% o total do ano passado,
informou balanço divulgado hoje pela Secretaria de Estado da Saúde. O melhor
resultado havia sido registrado em 2004, com 1.332 transplantes. Neste ano,
até 15 de dezembro, 451 pessoas tiveram pelo menos um órgão aproveitado para
doação, contra 376 em 2007. No período, foram realizados no Estado 752
transplantes de rim, 400 de fígado, 117 de pâncreas, 72 de coração e 45 de
pulmão. A cirurgia de córnea não é considerada no balanço, já que se trata
de um tecido.
O principal entrave para o aumento da doação de órgãos no Estado, diferente
do esperado, não foi a autorização da família do paciente que sofreu morte
encefálica. "Cerca de 50% das famílias são a favor da doação", afirma o
coordenador da Central de Transplantes da Secretaria, Luiz Augusto Pereira.
Para ele, este é um ótimo patamar. Segundo o coordenador, o problema
principal é o baixo número de casos de morte cerebral diagnosticados. Neste
ano, houve recorde de número pacientes em quadro de morte encefálica
notificados pelos hospitais: foram 2.208 até 15 de dezembro, contra 1.965 no
ano passado inteiro. "Mas acreditamos que há muitos casos de morte desse
tipo que não são notificados", lamenta Pereira. "Se ampliarmos o número de
potenciais doadores notificados, certamente teremos cada vez mais vidas
salvas por transplantes em São Paulo", afirma.
Desde o segundo semestre de 2006, a Central de Transplantes trabalha
especificamente para ampliar o número de notificações de potenciais doadores
para aumentar a oferta de órgãos para transplante. "Não é um hábito do
médico preocupar-se com esse diagnóstico", afirma. "Esse paradigma temos de
quebrar." Pereira explica que o diagnóstico para morte encefálica é muito
rigoroso. "Há um procedimento orientado pelo Conselho Federal de Medicina
para se atestar clinicamente que a pessoa está morta."
Se o caso é confirmado, os testes são repetidos seis horas depois. Por
último, é realizado um exame gráfico para comprovar que o cérebro não tem
atividade ou fluxo sanguíneo. Caso depois de todos esses procedimentos seja
atestada a morte cerebral, a família é entrevistada. O coordenador da
Central de Transplantes ressalta que seria importante que os cursos de
medicina tratassem em sua grade curricular da questão da doação de órgãos.
"Na Espanha, país com maiores índices de transplantes realizados, o tema é
abordado desde a escola primária", afirma.
Fonte:
Agência Estado
Atualizado em 18-12-08