Pesquisas recentes apontam que a alimentação da mulher durante o período de
amamentação pode influenciar na qualidade do leite materno, principalmente
no teor de vitaminas. Especialistas alertam que uma dieta balanceada desde a
gestação também é fundamental para garantir que as reservas de ferro e
vitaminas da mãe não sejam esgotadas pela lactação.
Na Universidade Federal do Amazonas, pesquisadores analisaram o teor de
vitamina A do leite de dois grupos de doadoras cadastradas no Banco de Leite
Humano do Amazonas. Enquanto o primeiro recebeu suplementação diária de 20
gramas de farinha de pupunha (uma colher de sopa), o segundo manteve a
alimentação habitual.
Nova avaliação, feita após 60 dias, apontou que o leite das mulheres que
consumiram a farinha de pupunha continha 30% mais vitamina A. 'No grupo das
mulheres que não receberam o suplemento, o teor do micronutriente diminuiu
10%', diz a nutricionista Tania Batista, autora da pesquisa. Segundo ela,
isso aconteceu porque a reserva do corpo das mães estava sendo consumida
pela produção de leite sem que houve uma reposição adequada por meio da
alimentação.
Para Tania, a estratégia usada na pesquisa pode ser promissora para combater
o déficit de vitamina A na população infantil, intenso principalmente na
Região Norte. O nutriente, explica, é fundamental para os recém-nascidos,
pois ajuda a manter a integridade da pele e das mucosas, que são barreiras
contra infecções. Também é importante para o funcionamento do sistema
imunológico.
'A entrevista com as mães revelou muitos erros alimentares. Apesar de haver
na região alimentos ricos em vitamina A, como buriti, abóbora e a própria
pupunha, elas consomem principalmente alimentos ricos em carboidratos e
pobres em micronutrientes, como arroz branco, farinha de mandioca e sucos
artificiais', conta a nutricionista.
A dieta materna também é determinante para garantir o aporte adequado de
vitamina C e do complexo B, que dependem do consumo diário, pois o organismo
é incapaz de armazená-los, afirma o coordenador da Rede Brasileira de Bancos
de Leite Humano, João Aprigio Guerra de Almeida. Ele destaca ainda a
importância do consumo de ácidos graxos, como o ômega-3 presente nos peixes,
essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso central. 'Já o teor de
ferro vai depender basicamente das reservas que a mãe conseguiu armazenar na
gravidez', diz.
Fast food. Outro estudo, desenvolvido no Instituto Fernandes Figueira (IFF),
da Fiocruz, investiga os hábitos alimentares de mulheres que doaram leite
com mais de 700 e menos de 400 calorias por litro. A engenheira de alimentos
Danielle Aparecida da Silva conta que, embora a pesquisa anda esteja em fase
piloto, é possível notar um padrão entre as mães que produziram o leite com
maior valor energético.
'Possuem uma dieta balanceada e diversificada e fazem cerca de cinco
refeições ao dia. As do outro grupo ou se alimentavam de fast-food e
guloseimas ou faziam um espaçamento maior entre as refeições', afirma.
Para o presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da
Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Borges, é preciso uma dieta muito
errada por um período muito longo para comprometer significativamente a
qualidade do leite materno. 'Para garantir um bom leite, o organismo da mãe
vai consumindo suas reservas. É mais provável que ela sofra a carência de
nutrientes antes do bebê.'
Mudança radical. Para evitar riscos para si e para a filha de 4 meses, a
professora de inglês Keli McGee, de 24 anos, mudou seus hábitos. 'Eu e meu
marido vivíamos a base de pizza, esfiha, sanduíche e comida chinesa. Fruta e
verdura só de vez em nunca.'
A transformação teve início na gestação, mas só após o nascimento da filha
Keli tomou coragem para visitar a feira realizada semanalmente em frente à
sua casa. 'Antes, a cozinha era usada apenas para fazer café. Agora preparo
todas as refeições da família. Nenagh ( pronuncia-se Nina)por enquanto só
mama, mas preciso aprender a cuidar de mim para cuidar melhor dela.'
ALIMENTAÇÃO
Durante o período em que estiver amamentando, a mulher deve consumir:
Leite
Três porções diárias de leite ou derivados (iogurte ou queijo)
Frutas
De três a quatro porções diárias
Verduras e legumes
De três a quatro porções diárias
Cereais
Seis porções diárias de cereais, pão ou massas
Peixe
Uma a três porções por semana
Carne Vermelha
Quatro porções por semana
Água
De dois a três litros por dia
Procure comer a cada intervalo de três horas.
Site Estadão.com.br
Atualizado em15-10-10