Capítulo I - As três revelações - parte I
Ao estudarmos a introdução ao O Evangelho Segundo o Espiritismo, pudemos
encontrar muitas coisas que serão vistas no decorrer desta obra. A
última que abordamos, o Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, nos
aproximou do aspecto moral e até religioso daquilo que veremos
doravante. A própria analogia entre a Doutrina de Sócrates e Platão e os
ensinamentos da Espiritualidade nos fez perceber aquilo que está
enunciado neste primeiro capítulo: Não vim destruir a Lei.
O que pudemos perceber é que algumas coisas que o Mestre nos trouxe não
são novidade e em certos casos, pareceu aos estudiosos que o Mestre
Jesus poderia ter bebido de certas culturas, como os irmãos nazirenos
que se isolavam ou deslocavam até o deserto, possuindo hábitos
alimentares e fraternos levados com extrema seriedade, respeito e
disciplina. Vejamos o que nos diz o ESE:
As Três Revelações: Moisés, Cristo e o Espiritismo
1 – Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para
destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo
que o céu e a Terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está
na lei, até o último jota e o último ponto. (Mateus, V: 17- 18)
“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir,
mas completar (trazer o que faltava).” Eis uma tradução que se adequa
melhor ao significado daquilo que o Mestre desejava expressar. Mais
precisava ser acrescido à lei que conhecíamos e o Mestre estava
incumbido de assim realizar. Ué? Mas já não tínhamos muitas leis e
ensinamentos dos profetas? Será que nos faltava algo? “Não penseis que
vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para
cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem
um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” S. Mateus
5:17-18
Vamos ver:
MOISÉS
2 – Há duas partes Distintas na lei mosaica: a de Deus, promulgada sobre
o Monte Sinal, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés.
Uma é invariável, a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do
povo, e se modifica com o tempo.
Temos visto isto e nem sempre compreendido. Estaria Moisés desautorizado
diante Deus? Teria Moisés deturpado a essência daquilo que Deus queria?
Ou teria adequado às necessidades e à capacidade de apreensão do povo
àquela época? Moisés não é um ‘anjo decaído’, ou seja, conforme a crença
acerca destes irmãos, não se rebelou contra os ensinamentos e a
autoridade de Deus, pelo contrário adequou-as à capacidade de
assimilação do povo à sua época. Contam os historiadores que Moisés
viveu até os 120 anos, iniciando seu mandato junto a Deus por volta dos
40 anos. Entendemos que há duas partes diferentes nas Leis Mosaicas.
Como seria possível fazer aqueles homens entenderem determinadas coisas
e preceitos se acreditassem em um Deus amoroso e não punitivo? O que
iria lhes reprimir os maus instintos e as más tendências? Estariam
preparados para isso? Vejam:
A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
I – Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da
servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti
imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no céu,
e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas debaixo da
terra. Não adorarás nem lhes darás culto.
Lembram-se do que aconteceu enquanto Moisés subiu ao Monte? Alguns
inquietos e enfadados se rebelaram e tomaram a frente do povo,
incitando-lhes à festa, às orgias e à adoração. Foram feitos bezerros de
ouro que eram adorados e toda sorte de heresias foram cometidas em nome
das festividades e comemorações pela saída do Egito. Parece que os
mandamentos já estavam sob encomenda, né? Prosseguindo:
II – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Juro por deus que nunca falo o nome dele atoa...ôps... Pois é....afora
aquilo que fazemos com as criancinhas: Deus vai te castigar, Deus ta
vendo, Deus me livre, Deus me guarde e por aí vai. Reconhecer a presença
de Deus em nossa vida é muito mais do que despejar em suas ‘costas’ toda
sorte de coisas ou prevenções que norteiam nosso viver. Até a
brincadeira é ao invés de falar Jesus, falar Gesuis. No que diz respeito
aos maus hábitos, vão-se os anéis e ficam os dedos, ou seja, trocamos as
letras, mas sabemos que estamos citando alguém que é muito mais do que
nossos sustos e admirações cotidianas.
Por outro lado será somente isto o não pronunciar o nome de Deus em vão
ou até mesmo escrevê-lo com um tracinho? Ou será termos consciência da
existência do criador e m nosso viver e saber respeitar-lhe os méritos e
a sabedoria? Outro dia alguém comentou que respeitar o nome de Deus é
não lhe atribuir nada de mal, como por exemplo: “Fulano morreu, graças a
Deus’. Fica a dúvida, afinal graças a Deus que ele morreu é o problema
ou achar que Deus mata? Entenderam como mesmo querendo evidenciar Deus
de forma justa nos tornamos impiedosos?
III – Lembra-te de santificar o dia de sábado.
Tentaram fazer do sábado uma pedra no sapato de Jesus e se deram mal,
lembram-se?Veremos isso mais adiante, por enquanto lembra-te de
santificar o sábado era um ‘marco’ para a aliança selada junto aos
filhos de Israel, que deveriam consagrar o sábado a Deus,
reverenciando-O e enaltecendo-O por terem sido por Deus libertados do
Egito.
Existem controvérsias, onde se afirma que para aqueles que pensam que o
Sábado é uma instituição criada apenas para judeus, basta ler o relatório do
Gênesis, quando Deus o estabeleceu para Adão e Eva, ou seja, para a humanidade e
devia permanecer para recordar o Poder Criador: Na Palavra de Deus lemos:
“Assim, foram acabados os céus e a terra, e todo o seu exército. E havendo Deus
terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a
sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque
nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” Gên. 2:1-3.
O que deveria ter ficado gravado em nosso ser é que, pelo menos uma vez
na semana, seria ideal que nos desligássemos de tudo e nos ligássemos
profundamente a Deus. O que não significa que devemos estar em cumes, cavernas
ou riachos, mas sim em sintonia com o Criador, agradecendo-lhe pela vida. Porém,
aprendemos que estar com Deus é muito mais do que rituais ou até mesmo posturas
exteriores. Por isso voltaremos a falar do sábado quando falarmos de Jesus mais
adiante.
IV – Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida
sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.
Lá no capítulo XIV do ESSE falaremos acerca deste mandamento, mas não podemos
nos furtar á reflexão a que ele conclama, principalmente nos dias de hoje.
Estamos sendo caridosos para com nossos pais? Criaturas falhas, imperfeitas, mas
que se propuseram a nos receber em seu lar para que todos evoluíssemos e até
quem sabe resgatássemos nossos débitos em conjunto. Nem sempre é fácil, mas está
lá: honrar pai e mãe! E isso é mais do que apenas dar-lhes casa e comida.
Honrar pai e mãe, não apenas os nossos mas os outros também. Os de nossos
amigos, os de nossos desconhecidos, os de nossos companheiros de jornada e assim
por diante. Se nos reportássemos com mais respeito aos genitores, talvez nossos
filhos pudessem ser criaturas menos revoltadas e mais amorosas. Lembram do texto
tigela de madeira? Tocante e que nos leva, justamente, a pensar que hoje somos
filhos e amanhã seremos pais ou por alguém seremos cuidados.
O texto pode ser visto em forma de PPS em nosso site da
Momento Fraterno na página de PPS
Prosseguiremos com estes estudos na próxima quarta-feira, dia 16-06-10,
às 20h50. Contamos com tua presença.
Exposto em
09-06-2010 por Fiorell@!