BERLIM - A clínica universitária da
Charité de Berlim conseguiu curar de AIDS um paciente que sofria de leucemia
ao qual, intencionalmente, transplantaram a medula de um doador imune ao
vírus HIV, em um processo cujos detalhes foram descritos hoje pelo artífice
do inovador tratamento, o hematólogo Gero Hütter.
A equipe sob cujos cuidados estava o paciente, um americano de 42 anos,
pré-selecionou cerca de 80 possíveis doadores de medula em busca de um que
fosse imune ao vírus, algo que ocorre com entre 1% e 3% dos europeus.
Após fazer mais de 60 exames, a equipe médica encontrou o candidato ideal,
que apresentava uma mutação genética natural, conhecida como delta 32 CCR5 e
que, se for herdado dos dois pais, imuniza contra a maioria das variantes do
vírus.
O transplante de medula desse doador conseguiu que o paciente vencesse a
leucemia e esteja há quase dois anos sem anticorpos do HIV nem no sangue nem
nos órgãos vitais, algo inédito no campo da medicina até agora.
"Escolhemos esse doador com a esperança de que com o transplante de suas
células medulares poderíamos, ao mesmo tempo, eliminar a infecção de HIV",
assinalou Hütter.
O diretor de medicina clínica de Hematologia e Oncologia do hospital,
Eckhard Thiel, assegurou hoje em entrevista coletiva que esse procedimento é
um "êxito para a ciência" e um "acontecimento médico", mas afirmou que fica
"um longo caminho" para saber se desse tratamento é possível obter uma cura
para a AIDS.
Hütter, de 39 anos, contou que conhecia a existência da mutação genética
natural, que foi descoberta há mais de dez anos, e decidiu aplicar esses
conhecimentos a este paciente concretamente.
O homem, que mora em Berlim, foi diagnosticado com HIV há mais de dez anos e
estava há três fazendo tratamento contra a leucemia quando os médicos da
Charité decidiram submetê-lo ao transplante de medula.
No entanto, o médico quis "minimizar as falsas esperanças" geradas pelo
sucesso da operação, que já foi retratada nas revistas especializadas, já
que foi obtida em um caso "muito concreto" e durante o tratamento de outra
doença grave.
Fonte: Jornal Último
Segundo
Gentilmente cedido por Gatuvéiu
Atualizado em 18-12-08