Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) descobriu um alto nível de
concentração de células-tronco na gordura localizada abaixo da linha do
umbigo e entre as coxas e os joelhos. Nessas regiões, há 25% mais células
capazes de gerar novos tecidos como ossos, nervos, músculos e pele do que em
outras partes do corpo.
A descoberta revela que há diferença entre as gorduras, faceta até então
desconhecida por pesquisadores, e indica o melhor local para coleta das
células-tronco usadas no tratamento de doenças. Desde que foi identificada a
presença de células-tronco na gordura, há cerca de quatro anos,
acreditava-se que o tecido adiposo era uniforme, não havendo diferença de
concentração entre áreas do corpo.
- Notamos que poderia haver uma diferença no tecido adiposo a partir do
resultado final de cirurgias que removiam gordura de um local para
enxertá-la em outro. Em alguns casos, a gordura era totalmente reabsorvida
pelo organismo. Em outros, não. Essa suspeita nos levou a quantificar a
presença de células-tronco em diferentes locais e compará-las - detalha o
pesquisador e cirurgião da mão Jefferson Braga Silva, que coordenou a
pesquisa.
Foi dosada a concentração de células-tronco da gordura descartada de
cirurgias de lipoaspiração de 15 pacientes. Os resultados foram apresentados
no 51º Congresso Francês de Cirurgia Plástica, realizado recentemente, e
serão submetidos à avaliação de revistas científicas internacionais.
Segundo Braga Silva, o próximo passo é testar as células-tronco da gordura
do abdômen, parte interna da coxa e dos joelhos em tratamentos para
recuperar lesões de nervos periféricos (fora da coluna). A terapia com uso
de células-tronco extraídas da medula óssea já se mostrou eficiente na
recuperação da sensibilidade e da capacidade motora em 20 pacientes com este
tipo de lesão.
Fonte: Zero Hora
Atualizado em 18-12-08