Banco de
Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP)
Em 2001, o INCA inaugurou o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e
Placentário (BSCUP), o primeiro banco desse tipo do Brasil, visando aumentar
as chances de localização de doadores, para os pacientes que necessitam de
transplante de medula óssea.
As chances de um brasileiro localizar um doador em território nacional é
trinta vezes maior que a chance de encontrar o mesmo doador no exterior,
segundo pesquisa realizada pelo Registro Nacional de Doadores de Medula
Óssea (REDOME). Isso ocorre devido às características genéticas comuns à
população brasileira.
Além disso, o BSCUP pretende ser um projeto piloto para a instalação de
outros bancos brasileiros e para treinamento de profissionais e
regulamentação desta atividade.
Para mais informações sobre o Banco do INCA, ligue para 2506-6563.
O que
são células-tronco?
As células-tronco são células muito especiais. Elas surgem no ser humano,
ainda na fase embrionária, previamente ao nascimento. Após o nascimento,
alguns órgãos ainda mantêm dentro de si uma pequena porção de
células-tronco, que são responsáveis pela renovação constante desse órgão
específico. Essas células têm duas características distintas:
1- elas conseguem se reproduzir, duplicando-se, gerando duas células com
iguais características;
2– conseguem diferenciar-se, ou seja, transformar-se em diversas outras
células de seus respectivos tecidos e órgãos.
Um exemplo é a célula-tronco hematopoética, que no adulto se localiza na
medula óssea vermelha. Na medula óssea, ela é responsável pela geração de
todo o sangue.
Essa é célula que efetivamente substituímos quando realizamos um transplante
de medula óssea.
Onde podemos encontrar as células-tronco?
Além da célula-tronco hematopoética, pesquisas recentes têm demonstrado a
presença de células-tronco específicas, presentes em tecidos como, fígado,
tecido adiposo, sistema nervoso central, pele etc. A utilização para fins
terapêuticos dessas células também tem sido alvo de vários estudos.
O que é o sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP) e por que ele é
tão especial?
Durante a gravidez, o oxigênio e nutrientes essenciais passam do sangue
materno para o bebê através da placenta e do cordão umbilical. O sangue que
circula no cordão umbilical é o mesmo do recém-nascido. Quando pesquisadores
identificaram no cordão umbilical um grande número de células-tronco
hematopoéticas, que são células fundamentais no transplante de medula óssea,
este sangue adquiriu importância, pela doação voluntária, para pessoas que
necessitem do transplante.
As células-tronco do SCUP são células-tronco embrionárias?
Não, as células-tronco do SCUP são células-tronco com características
adultas porém, mais imaturas e ainda pouco estimuladas.
Como é feita a doação de SCUP?
Após o nascimento, o cordão umbilical é pinçado (lacrado com uma pinça) e
separado do bebê, cortando a ligação entre o bebê e a placenta.
A quantidade de sangue (cerca de 70 - 100 ml) que permanece no cordão e na
placenta é drenada para uma bolsa de coleta.
Em seguida, já no laboratório de processamento, as células-tronco são
separadas e preparadas para o congelamento.
Estas células podem permanecer armazenadas (congeladas) por vários anos no
Banco de Sangue de Cordão Umbilical (BSCUP) e disponíveis para serem
transplantadas. Cabe ressaltar que a doação voluntária é confidencial e
nenhuma troca de informação será permitida entre o doador e o receptor.
Qualquer gestante está apta a doar?
Não. Assim como a doação de sangue comum, a gestante tem que atender a
critérios específicos. Dentre eles, ela deve ter entre 18 e 36 anos, 11
meses e 29 dias (menos de 37 anos), ter feito no mínimo duas consultas de
pré-natal documentadas, estar com idade gestacional acima de 35 semanas, no
momento da coleta, e não possuir, no histórico médico, doenças neoplásicas
(câncer) e/ou hematológicas (anemias hereditárias, por exemplo).
Quais são as vantagens do SCUP?
A principal vantagem é que as células do cordão estão imediatamente
disponíveis. Não há necessidade de localizar o doador e submetê-lo à
retirada da medula óssea.
Existem desvantagens?
Existem sim, mas não para a doadora. A maior desvantagem é a dose de
utilização, uma vez que a doação ocorre em uma única coleta (sem
possibilidade de nova coleta), e o volume é bem restrito, o número de
células tronco pode ser limitado. Isso reduz a possibilidade de utilização a
pacientes de maior peso, geralmente. Serve muito bem para a utilização em
pacientes pediátricos.
Onde o INCA está recolhendo os cordões?
O material é colhido atualmente no município do Rio em três maternidades:
Maternidade Municipal Carmela Dutra, Hospital Naval Marcílio Dias e na Pró
Matre. Nas maternidades, o INCA possui uma equipe de enfermeiras devidamente
especializadas e capacitadas para a triagem e coleta de SCUP, se segunda a
sexta-feira, das 7h às 19h.
Existe algum risco para mãe ou para o bebê?

Não, não existe nenhum risco. Lembre-se que tanto a placenta, quanto o
sangue que fica armazenado nela, têm sido tratados, até então, como lixo.
Obviamente, as equipes de coleta atuam somente com o consentimento do
obstetra, garantindo que nada interfira no parto.
O que acontece após a doação?

As unidades coletadas recebem um identificador numérico que passa a ser a
identidade da bolsa. Toda referência à ela passa a ser realizada com esse
número, e não mais com o nome da gestante. A unidade é então levada ao
laboratório, no INCA, onde passará por diversas etapas.
Inicialmente é avaliado o número de células presentes na unidade. Caso o
número destas seja suficiente para um transplante, a mesma é processada,
tendo seu volume reduzido a 20ml e congelada (criopreservada). Assim, a
unidade fica aguardando os resultados dos exames realizados, inclusive
exames maternos, que avaliarão a presença de marcadores para doenças
infecto-contagiosas do sangue.
Então, o SCUP coletado e congelado já está pronto para transplante?

Não, a legislação vigente prevê que, para uma unidade ser liberada para
transplante, se deve repetir os exames sorológicos da mãe, em um período de
dois a seis meses, após o parto. Isso é muito importante, pois sem esse novo
exame todo o trabalho terá sido em vão, e a unidade não poderá ser
utilizada.
Quais são os cuidados com a qualidade do sangue de cordão umbilical?
O sangue é somente coletado mediante o consentimento materno. As mães que
permitirem a doação, obrigatoriamente, necessitam se consultar no período
pré-natal e responderão ao questionário com informações sobre seu histórico
familiar.
As mulheres são acompanhadas durante seis meses após o nascimento da
criança, a fim de se constatar se houve algum problema com a mãe ou com o
bebê, como infecções não percebidas no parto. Caso tenha ocorrido alguma
anormalidade, a unidade de sangue será descartada.
Caso o filho (a) da gestante que doou seu SCUP necessitar de um transplante
de células-tronco, ele (a) terá prioridade?

Não. Entenda que a doação, por todos os fatores que mencionamos, não
significa que o material foi criopreservado, pois terá que atender critérios
de qualidade estipulados pela lei. Uma vez que o SCUP esteja criopreservado
e disponível para uso, caso não tenha sido utilizado por outro paciente, o
mesmo será selecionado para o doador.
Quantas coletas são feitas em cada maternidade por dia?
São coletados, em média, de três a cinco cordões em cada maternidade, por
dia.
Quanto custa este procedimento?
A doação é gratuita. Nenhuma gestante que adere ao programa de doação do
INCA tem qualquer custo. A coleta e o armazenamento de cada unidade custam
em torno de R$ 3 mil para o SUS. Já a importação de unidades de sangue de
cordão umbilical, vindas de centros internacionais, ficam em torno de R$ 96
mil.
Qual a capacidade do Banco?
O Banco do INCA possui dois tanques com capacidade para estocar cerca de
10.000 mil unidades.
Como os pacientes receberão estas células?
Os pacientes com indicações para transplante não-aparentado deverão ser
cadastrados pelo Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME),
de acordo com suas características. Isso é feito através do teste HLA, que
identifica geneticamente o doador.
Haverá, então, um cruzamento de informações entre o REREME e o Registro de
Doadores de Medula Óssea (REDOME), que inclui os dados do Banco de Sangue de
Cordão Umbilical, a fim de identificar um doador compatível.
O processo de transplante é semelhante ao utilizado para medula óssea, ou
seja, após um regime de preparação com quimioterapia e/ou radioterapia, o
paciente recebe as células-tronco em um procedimento semelhante a uma
transfusão.
Os cordões armazenados já foram utilizados?
Sim, unidades armazenadas no Banco do INCA já foram utilizadas em
transplantes.
O que é Brasilcord?
É uma Rede que reúne os bancos públicos de sangue de cordão umbilical. Hoje
estão em funcionamento as unidades do INCA, do Hospital Albert Einstein e
dos hemocentros da Unicamp e de Ribeirão Preto. Estão previstos sete novos
bancos públicos, que seriam instalados em todas as regiões do país para
contemplar a diversidade genética da população brasileira. O INCA é
responsável pela coordenação da Rede. A Portaria Ministerial nº 903/GM de
16/08/2000 e o RDC da ANVISA 153 de 14/06/2004 regulamentam os procedimentos
da Rede. A criação da Rede Brasilcord foi regulamentada pela Portaria
Ministerial, nº 2381 de 28/10/2004.
Existem bancos semelhantes no exterior?
Sim. No exterior, existem mais de cem bancos, com mais de 180 mil unidades
de cordão congeladas.
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