SOBRE AS CÉLULAS TRONCO:
QUANDO COMEÇA A VIDA?
ESPIRITISMO E CÉLULAS TRONCO: QUANDO SE DÁ O COMEÇO DA VIDA, SEGUNDO A
DOUTRINA DOS ESPÍRITOS?
O EMBRIÃO HUMANO JÁ TEM ALMA?
QUANDO SE DÁ A LIGAÇÃO DO CORPO E DA ALMA, SEGUNDO OS ESPÍRITOS?
Muito tem se falado a respeito do uso de células tronco para fins
científicos.
Os opositores, defendem que a vida começa na fecundação. Os defensores,
acreditam que a vida começa no nascimento.
A igreja católica é radicalmente contra; em seu comunicado de 29 fev 2008, a
CNBB reafirma a posição da Igreja Católica contra o uso de células tronco
embrionárias para pesquisas científicas. O motivo principal é que o embrião
humano já é um ser humano dotado de uma alma imortal, imagem e semelhança de
Deus, e que por isso não pode ser destruído.
E o que nos ensina a Doutrina Espírita? Quando se dá o começo da vida,
segundo a concepção espírita?
Para falar sobre o tema, temos que considerar em primeiro lugar uma premissa
básica dos ensinamentos dos espíritos: a alma não nasce com o nascimento do
corpo, e também não morre com a morte do corpo. A alma é anterior à criação
do corpo, e a morte não existe, senão para o corpo físico.
Esse é o ponto de partida de nossa discussão.
Kardec abordou a questão da união da alma com o corpo, no Livro dos
Espíritos, questões 344 a 360.
Vamos reproduzir aqui algumas dessas questões:
LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO SEGUNDO
CAPÍTULO VII - RETORNO À VIDA CORPORAL
ITEM II - UNIÃO DA ALMA COM O CORPO - ABORTOS
Pergunta 344: Em que momento a alma se une ao corpo?
Resposta dos Espíritos: “A união começa na concepção, mas não se completa
senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito
designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico,
que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à
luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou
para o número dos vivos e dos servos de Deus.”
Pergunta 345: A união entre o Espírito e o corpo é definitiva desde o
momento da concepção? Durante esse primeiro período, o Espírito poderia
renunciar a tomar o corpo que lhe foi designado?
Resposta dos Espíritos: “A união é definitiva no sentido de que outro
Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo; mas, como
os laços que o prendem são muito frágeis, fáceis de romper, podem ser
rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida. Nesse
caso, a criança não vinga”.
Pergunta 346: Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer
antes de nascer?
Resposta dos Espíritos: “Escolhe outro”.
Pergunta 353: A união do Espírito com o corpo não estando completa e
definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o
feto como tendo uma alma?
Resposta dos Espíritos: “O Espírito que deve animar existe, de qualquer
maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a
encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que
deve possuir”.
Pergunta 354: Como se explica a vida intra-uterina?
Resposta dos Espíritos: “É a da planta que vegeta. A criança vive a vida
animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa,
ao nascer, com a vida espiritual”.
Pergunta 355: Há, como o indica a Ciência, crianças que desde o ventre da
mãe não têm possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?
Resposta dos Espíritos: “Isso acontece freqüentemente, e Deus o permite como
prova, seja para os pais, seja para o Espírito destinado a encarnar”.
Pergunta 356: Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação
de um Espírito?
Resposta dos Espíritos: “Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado
aos seus corpos: nada devia cumprir-se nela. É somente pelos pais que essa
criança nasce”.
Nossos comentários:
De acordo com o que acabamos de ler:
1. A união da alma com o corpo só se completa no nascimento. Antes disso, a
alma está ligada ao corpo por um laço fluídico “frágil, fácil de romper”,
que vai se estreitando à medida que a gestação vai se completando. SOMENTE
NO NASCIMENTO SE DÁ A UNIÃO DO CORPO COM A ALMA.
2. A alma está designada para o corpo, mas não vive nele e nem depende dele
para viver. O corpo em formação está ligado à alma que deve possuir, e é o
corpo que depende da alma para viver, pois é a alma que anima o corpo, e não
o contrário.
3. Os espíritos dizem que a vida intra uterina é como “a da planta que
vegeta. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa,
ao nascer, com a vida espiritual”
Isso nos leva a uma outra reflexão: muitos poderão interpretar,
erroneamente, que se a vida intra uterina é vegetativa, e a alma não se une
ao corpo antes do nascimento, então o aborto não pode ser considerado um
crime aos olhos de Deus, pois o feto ainda não está animado por uma alma.
Vejamos o que nos dizem os espíritos, no mesmo capítulo:
Pergunta 358: O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da
concepção?
Resposta dos Espíritos: “Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus.
A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança
antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas
de que o corpo devia ser o instrumento”.
Nossas considerações finais:
Através das reencarnações sucessivas, o espírito passa pelas muitas
experiências que a veste carnal lhe propicia, e pode trilhar seu caminho de
evolução. É também pela lei de reencarnação que a justiça divina se faz,
pois como espíritos eternos somos responsáveis por nossos atos, e a
reencarnação é a possibilidade de reparar nossos erros. Portanto, se muitas
vezes pensamos erroneamente que a justiça não se faz, é porque nossa visão
se restringe a apenas uma encarnação, mas a vida do espírito não começa nem
termina em uma única existência. Daí se explicam tantas desigualdades que
vemos - que podem muito bem ser conseqüências do que, na outra ponta,
consideramos como “impunidades”.
Se Deus é amor, ele também é justiça. Estamos TODOS, indistintamente,
sujeitos às mesmas leis, e não há “eleitos”. Todos nós colhemos o que
plantamos, e somos responsáveis por nossas ações, no aqui e no Além. A
Justiça Divina não permite que nossos erros passem incólumes, mas nos
oferece oportunidades incontáveis de redenção, através das vidas sucessivas.
Assim sendo, o aborto delituoso é um crime aos olhos de Deus, porque impede
a outro espírito a oportunidade de renascer na carne, para se redimir dos
seus erros e prosseguir na sua senda evolutiva.
Por outro lado, as células tronco congeladas em laboratório, não possuem
alma. Se bem que o feto já tenha uma alma destinada para ele, e ambos
estejam ligados por um liame, a união só se completa no nascimento.
Portanto, a conclusão a que chego, depois de ler O Livro dos Espíritos, é
que no caso das células tronco, o espiritismo, mais uma vez, vai de encontro
à ciência.
Conforme a questão 356, quando perguntados se há crianças natimortas, para
as quais nenhum espírito foi destinado, os Espíritos responderam que sim,
“há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia
cumprir-se nelas”.
É assim que eu entendo as células tronco embrionárias: que não têm espíritos
designados para animar seus corpos, pois eles não irão nascer, e não
precisam portanto de alma para animá-los. Como dizem os espíritos: “nada
devia cumprir-se nelas” - ou seja, essas células não se transformarão em
corpos que precisam da alma para serem animados, em outras palavras, para
que vivam. Mas, servem de qualquer modo à ciência, na busca do homem por uma
vida melhor, com menos dor.
Sobre isso, O Livro dos Espíritos nos traz outro capítulo de estudo, que
trata das Leis Morais: Capítulo 8, Lei do Progresso.
Por último, quero salientar que exponho aqui a minha interpretação pessoal
do Livro dos Espíritos, e não a posição oficial da doutrina espírita. A esse
respeito, fiz uma pesquisa na Internet e recomendo um artigo muito
esclarecedor escrito pelo dr. Iso Jorge Teixeira,
aqui.
Já, o autor espírita Eurípedes Kühl classifica o uso de células tronco
embrionárias como aborto.
A coleta de células tronco pelo cordão umbilical ou da medula óssea do
próprio paciente conta com amplo apoio dos meios espíritas. A polêmica surge
quando se trata da retirada de células-tronco de embriões, uma vez que isto
implica na destruição desses embriões.
Nesse ponto, vemos opiniões divergentes no meio espírita. É claro que o
espiritismo condena o aborto, mas a questão é saber se utilizar embriões
congelados em laboratório pode ser considerado aborto. Aliás, uma das fontes
para a coleta desse material seria justamente embriões e fetos provenientes
de abortos.
Está aberto o debate! Eu pouco conheço os aspectos científicos do processo.
Mas creio que podemos refletir sobre as implicações éticas e morais desse
procedimento, para tentar, mais uma vez, pautar nossas escolhas com base no
que aprendemos na doutrina que abraçamos. Ainda não sei qual a posição
“oficial” do espiritismo a esse respeito. Ah, que falta o Chico nos faz…
Fonte: http://kardec.wordpress.com